História



Existia no norte da Espanha uma serra muito alta e íngreme chamada Penha de França, na qual o Rei Carlos Magno teria lutado contra os mouros, desbaratando-os.

Por volta de 1434, certo Monge Francês sonhou com uma imagem de Nossa Senhora que lhe apareceu no topo de escarpada montanha, cercada de luz e acenando para que ele fosse procurá-la. Simão Vela, assim se chamava o Monge, durante cinco anos andou procurando a mencionada serra, até que um dia teve indicação de sua localização e para lá se dirigiu. Após três dias de intensa caminhada e escalando penhas íngremes, o Monge parou para descansar, quando viu sentada perto dele uma formosa senhora com o filho ao colo que lhe indicou o lugar onde encontraria o que procurava. Auxiliado por alguns pastores da região, conseguiu achar a imagem que avistara em sonho.

Construiu Simão Vela uma tosca ermida nesse local, que logo se tornou célebre pelo grande número de milagres alcançados por intermédio da Senhora da Penha, e mais tarde ali foi construído um dos mais ricos e grandiosos santuários da cristandade.

Iconografia da Imagem

A imagem comum do título é a do viajante a cavalo, atacado por uma cobra e salvo por um jacaré ( versão brasileira do lagarto ). No alto vê-se Nossa Senhora da Penha com o Menino Jesus no braço esquerdo e a mão direita estendida segurando às vezes um cetro. Esta representação da Virgem da Penha é geralmente em pinturas, pois as esculturas mostram só Maria com o Menino ao colo.

Nossa Senhora da Penha de França, em Resende Costa

Segundo moradores e fiéis, por volta de 1830, talvez alguns anos a mais ou a menos, o então padre residente em Resende Costa, na época Curato, Pe. Antônio de Pádua, após cumprir suas obrigações religiosas, se dirigia para o casarão da chácara Dr. Gervásio e se colocava a esculpir a imagem da então padroeira de Resende Costa, Nossa Senhora da Penha de França. Logo no início do trabalho o padre escultor plantou algumas palmeiras na estrada da chácara, de um lado e outro. No final do trabalho, tendo a imagem de Nossa Senhora da Penha de França esculpida, a comunidade se colocou em procissão, com a imagem da padroeira nos ombros, em direção a Igreja Matriz, onde Nossa Senhora da Penha de França passou a ocupar o local mais alto do altar-mor.



Em Portugal, o Culto de Nossa Senhora da Penha iniciou-se após a batalha de Alcácer-Quibir, de tão triste memória, na qual perdeu a vida o rei D. Sebastião. Entre os portugueses que conseguiram escapar da escravidão mulçumana encontrava-se um escultor chamado Antônio Simões, o qual, no mais aceso da peleja, prometeu à Virgem Santíssima fazer-lhe sete imagens se ela o conduzisse novamente à sua Pátria. Fiel ao seu voto, iniciou logo o trabalho, esculpindo seis figuras com os receptivos títulos. Ao chegar à sétima e não sabendo que invocação dar-lhe, foi aconselhado por um padre jesuíta a fazer a Imagem de Nossa Senhora da Penha, cujos milagres eram muito comentados em Castela. Aceitando a sugestão, o escultor Luso executou a obra e coloco-a na ermida da vitória, mas algum tempo depois resolveu edificar-lhe uma Igreja em local próximo a Lisboa e que mais tarde se tornou conhecido com Penha de França.

Milagres de Nossa Senhora da Penha de França

Naquela época, uma peste assolou o país e como a Espanha se livrara do flagelo graças à intervenção de Nossa Senhora da Penha, o Senado da Câmara de Lisboa prometeu à Mãe de Deus construir um grandioso templo, se Ela livrasse a cidade da moléstia. Extinguiu-se a epidemia quase subitamente, a Câmara mandou edificar magnífico santuário naquele local.
Este templo passou a atrair milhares de peregrinos e em certa ocasião um devoto, tendo subido ao alto da penedia vencido pelo cansaço adormeceu . Uma grande cobra aproximou-se para picá-lo quando um enorme lagarto saltou sobre ele despertando-o a tempo de matar a serpente com o seu bastão. Essa é a razão pela qual a imagem de Nossa Senhora da Penha tem aos pés um peregrino, a cobra e o lagarto.




Como quase todos os títulos da Virgem Maria registrados no Brasil no período colonial, o culto de Nossa Senhora da Penha foi trazido por marujos portugueses e aqui tomou grande impulso, devido à devoção dos lusitanos emigrados que transpuseram para nossa pátria os seus costumes e devoções.

Um dos mais famosos templos brasileiros dedicados a esta invocação é o de São Paulo. Segundo os antigos cronistas, um viajante francês seguia de Piratininga para o norte, levando em sua bagagem uma imagem de Nossa Senhora da Penha de França. Ao passar pelo morro chamado então Aricanduva parou para descansar. Ao continuar o trajeto no dia seguinte, notou a falta da santa. Voltou para procurá-la e foi encontrá-la no alto do morro de Aricanduva. Guardou a imagem no baú e prosseguiu viagem, mas, ao chegar no pouso seguinte, notou a falta da efígie, que foi encontrada novamente no local onde pousara. Este fato repetiu-se várias vezes e ele, vendo nisso a vontade do céu, ali plantou uma pequena ermida.

O padre Jacinto Nunes, filho de um dos primeiros habitantes de São Paulo de Piratininga, transferiu a imagem e a Capela para o alto do morro onde se encontrava a secular Matriz da Penha. Não sabemos exatamente a data da fundação deste templo, mas é certo que em 1667 ele já existia e era cercado de alpendres como as mais antigas Igreja do Brasil. Em 1687 o Bispo D. José de Barros Alacão quis transferir a imagem de Nossa Senhora da Penha para um recolhimento, mas as mulheres do bairro se revoltaram e a Padroeira ali permaneceu . Ela é atualmente a Protetora da cidade de São Paulo e sua Igreja está coberta de promessas e ex-votos.

A ermida da Penha, no Rio de Janeiro, foi fundada no início do século XVII pelo Capitão-mor Baltasar Cardoso , senhor de um engenho de açúcar naquela localidade, tendo sido substituída pelo atual templo construído no século XIX, que se avista de todo o litoral da Guanabara.
A festa de Nossa Senhora da Penha realiza-se no Rio de Janeiro em outubro e é a solenidade religiosa mais popular da bela metrópole guanabarina. Centenas e centenas de peregrinos vindos de várias partes da Cidade maravilhosa e de outros Estados sobem devotamente os 365 degraus cavados na rocha, a fim de agradecerem à Virgem Maria alguma graça alcançada, ou para rogarem pela saúde de seus entes queridos. Esta festividade, que se celebra desde 1713, é sempre acompanhada de folguedos populares e animada pelas músicas e danças em homenagem à Santa Padroeira. Atualmente, entretanto, ela tornou nova feição e ganhou maior colorido e afluência, devido às obras de reforma e melhoramento do parque da Penha, empreendidos pelo governo do antigo Estado da Guanabara.

A história e a lenda de Nossa Senhora da Penha de Vitória, no Espírito Santo, são ainda mais antigas que as da ermida paulista.

Num belo dia de maio do ano de 1535, em terras goitacás no meio da mata, onde se podia ouvir o grito dos papagaios e o farfalhar das folhas das árvores gigantescas, um ruído estranho ecoou pelos ares. Era um tiro de canhão, talvez primeiro a ser ouvido em plagas capixabas. A caravela Glória acabava de fundear na enseada da futura Vila Velha, trazendo o donatário Vasco Fernandes Coutinho, fidalgo português que havia deixado sua abastada quinta do Alenquer para tomar posse as capitania, à qual deu o nome de Espírito Santo.

A esperança que o dominava ao desembarcar nas praias do Novo Mundo foi aos poucos se apagando devido às lutas entre os colonos e naturais da terra, e Vasco Coutinho mandou vir do Reino alguns padres a fim de pacificá-los. Entre os missionários que ali chegaram durante o governo do inditoso donatário estava o Frei Pedro Palácios espanhol, que trazia em sua bagagem um belíssimo painel de Nossa Senhora, o mesmo que ainda existe no Convento da Penha de Vitória. Na azáfama do desembarque, não notaram os companheiros o desaparecimento do santo frade e somente após dois dias acharam-no numa gruta ao pé da montanha, onde havia exposto o painel da Virgem, convidando os fiéis à prece e à meditação.

Certo dia os devotos não encontraram Frei Pedro e nem o painel. Pelo latido do cãozinho que sempre o acompanhava, descobriram-no na escarpa do morro que domina a bela baía de Vitória. Contou então que o painel havia desaparecido e ele estava a procurá-lo. Após ingentes esforços, um grupo de pessoas conseguiu atingir o cume do monte e ali, entre duas palmeiras, encontraram a pintura. Religiosamente foi a tela reconduzida à gruta, mas, diante do ocorrido, Frei Pedro iniciou a construção da Igreja dedicada a São Francisco, na chapada, junto ao cume da montanha e para lá levou o painel de Maria.

A imagem de São Francisco lá ficou, mas o quadro da Virgem novamente desapareceu sendo encontrado ainda uma vez no píncaro, entre as duas palmeiras. Resolveu então o frade construir uma ermida no cume do penhasco, e ele mesmo, velho e alquebrado, carregou os primeiros materiais até o lugar da capela. Realizado o seu grande sonho, a Igreja foi solenemente inaugurada a 1º de maio de 1570, e, enquanto se elevavam os foguetes e as manifestações de alegria dos que ali se encontravam, subir ao céu a alma de Frei Pedro Palácios ao som dos sinos de ermida da Penha.

Seus sucessores ampliaram a primitiva capela fundada em 1558, como diz a inscrição, e construíram convento que abriga hoje a estátua de Nossa Senhora da Penha, encomendada por Frei Pedro em Portugal e aqui chegada um pouco antes da inauguração da Igreja. Dizem que o Frei a encomendara a um amigo em Lisboa, para o qual mandara um coquis e as dimensões da mesma. Tendo ele se esquecido de providenciar a aquisição, na véspera da partida do navio para o Espírito Santo, um desconhecido se apresentou ao comandante entregando-lhe a encomenda que não lhe fora feita e que apesar disso veio como Frei Pedro pedira.

A Igreja da Penha de Vitória é uma das mais famosas e lendárias de nosso país e entre os milagres que glorificam este santuário conta-se o seguinte: - Por ocasião do ataque dos holandeses à Capitania do Espírito Santo em 1640, após a tomada do porto de Vila Velha, eles já começavam a fortificar-se quando, diante de seus olhos atônitos, o santuário foi se transformando em castelo cercado de fortes muralhas e defendido por um esquadrão de soldados. Do monte descia muita gente a pé e a cavalo, todos com armaduras reluzentes e bem preparados. No morro, no entanto, não havia ficado pessoa alguma e a própria imagem tinha sido removida para o convento de São Francisco. À vista desse espetáculo aterrador, os holandeses fugiram desordenadamente e voltaram às suas naus.
Este milagre, assim como muitos outros acontecidos por intermédio da Virgem Maria, foi perpetuado em famosa tela do pintor Benedito Calixto e o convento da Penha é hoje o símbolo do Estado do Espírito Santo, figurando nas armas e no selo do território capixaba.

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